Há uma confusão no mercado que não raramente atrapalha o entendimento sobre a questão do componente “desafio” nos treinamentos organizacionais, especialmente quando esses são realizados ao ar livre.
Muitas empresas vêm buscando a metodologia experiencial, muitas vezes envolvendo atividades de aventura (Rafting, Rapel, etc...) como alternativa para programas de team building, desenvolvimento de liderança ou mesmo em atividades de integração em seminários e convenções.
Um pressuposto de um ambiente de aprendizagem deve ser a segurança física e psicológica dos participantes. Cada uma dessas dimensões da segurança é construída de formas diferentes, mas estão intimamente ligadas e uma breve análise dessa inter-relação gera uma reflexão interessante no que tange ao desenvolvimento pessoal. O conceito de assumir riscos está intrínseco no conceito de aventura, e carrega consigo uma das chaves para oportunidades de aprendizado. A partir desse passo fora da zona conhecida (ou zona de conforto), o participante vive uma experiência intensa que gera qualidades como interação, significado, satisfação, suporte (dando e/ou recebendo), introspecção, quebra de paradigmas, entre outras.
Muitas empresas vêm buscando a metodologia experiencial, muitas vezes envolvendo atividades de aventura (Rafting, Rapel, etc...) como alternativa para programas de team building, desenvolvimento de liderança ou mesmo em atividades de integração em seminários e convenções.
Um pressuposto de um ambiente de aprendizagem deve ser a segurança física e psicológica dos participantes. Cada uma dessas dimensões da segurança é construída de formas diferentes, mas estão intimamente ligadas e uma breve análise dessa inter-relação gera uma reflexão interessante no que tange ao desenvolvimento pessoal. O conceito de assumir riscos está intrínseco no conceito de aventura, e carrega consigo uma das chaves para oportunidades de aprendizado. A partir desse passo fora da zona conhecida (ou zona de conforto), o participante vive uma experiência intensa que gera qualidades como interação, significado, satisfação, suporte (dando e/ou recebendo), introspecção, quebra de paradigmas, entre outras.
A experiência do desenvolvimento pessoal (que carrega consigo o reflexo no crescimento do profissional) é potencializada quando a pessoa se dispõe a conhecer e experimentar o diferente e o novo. Encontrar situações inéditas fazem o indivíduo encontrar ou desenvolver recursos próprios talvez desconhecidos ou subutilizados, que uma vez acessados darão mais poder pessoal ao “aventureiro”. Essa é a forma como vejo a caminhada do auto-desenvolvimento: aventurando-se em situações de assunção de riscos, se conhecendo melhor, buscando desenvolvimento, aplicando os aprendizados na vida e seguindo a caminhada com cada vez mais consciência e recursos.
Cabe à empresa e/ou profissionais responsáveis pelos treinamentos garantir a gestão da segurança das atividades. Para isso existem requisitos definidos em normas, no caso do Brasil da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Uma vez aplicados esses requisitos alcança-se um nível ideal de trabalho com riscos calculados, controlados e assumidos. Dessa forma, o participante saberá exatamente quais riscos físicos está assumindo para que, com isso, possa partir mais seguro para sua experiência de crescimento pessoal. A empresa fornecedora também terá um controle muito maior da segurança das atividades, uma vez que estará seguindo um programa de gestão de segurança que inclui um plano de tratamento de riscos.
Finalmente, a empresa contratante que tem segurança como um valor, terá num evento de treinamento experiencial uma extensão da aplicação da sua política de segurança, ficando assim mais a vontade para desenvolver os talentos das suas equipes.
(*) Daniel Spinelli é consultor de desenvolvimento humano e diretor da PS Treinamento Empresarial. E-mail: daniel@pstreinamentoempresarial.com.br
http://www.pstreinamentoempresarial.com.br/
Cabe à empresa e/ou profissionais responsáveis pelos treinamentos garantir a gestão da segurança das atividades. Para isso existem requisitos definidos em normas, no caso do Brasil da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Uma vez aplicados esses requisitos alcança-se um nível ideal de trabalho com riscos calculados, controlados e assumidos. Dessa forma, o participante saberá exatamente quais riscos físicos está assumindo para que, com isso, possa partir mais seguro para sua experiência de crescimento pessoal. A empresa fornecedora também terá um controle muito maior da segurança das atividades, uma vez que estará seguindo um programa de gestão de segurança que inclui um plano de tratamento de riscos.
Finalmente, a empresa contratante que tem segurança como um valor, terá num evento de treinamento experiencial uma extensão da aplicação da sua política de segurança, ficando assim mais a vontade para desenvolver os talentos das suas equipes.
(*) Daniel Spinelli é consultor de desenvolvimento humano e diretor da PS Treinamento Empresarial. E-mail: daniel@pstreinamentoempresarial.com.br
http://www.pstreinamentoempresarial.com.br/


Mergulho scuba no Rio da Prata
Mas não se deve desdenhar do mergulho só por ele ser fácil demais. Diferente da flutuação, que começa no rio Olho D'Água, o mergulho fica 100% no rio da Prata. A perspectiva que temos na flutuação é de cima, sobre as maravilhas que estão no fundo; no mergulho, a sensação é de maior integração ao rio, somos parte do rio e esta perspectiva é diferenciada da que 90% das pessoas que visitam Bonito têm. Peixes que se aproximam pouco da superfície, como o cascudo e a joaninha, são facilmente vistos entocados entre troncos e raízes.
A paisagem, aliás, é outro diferencial do mergulho no rio da Prata. Se na flutuação a sensação é de estarmos num aquário, no mergulho a sensação muitas vezes é de estarmos em meio a um "naufrágio" natural, recortado por várias reentrâncias e substratos esculturais feitos de madeira apodrecida, onde a vida animal se esconde. Há verdadeiros paredões de raízes, formações de pedras retorcidas que adicionam um mistério ao local. O mergulho no rio da Prata é dicotômico: cheio de sombras, mas ao mesmo tempo de uma clareza inacreditável, nos momentos em que se chega próximo à superfície - há trechos em que o rio tem menos de 1 metro de profundidade e aqui, precisa-se ter cuidado, para não perturbar demais o fundo ao passar. De quebra, quando colocamos a cabeça for a da água, avistamos macacos e tucanos passeando pela mata ciliar. Integração total com a natureza.
Mas nem só de rio da Prata vive Bonito. Apesar de velho conhecido, outro passeio sub imperdível é o mergulho no Abismo Anhumas. Para fazê-lo, é preciso descer de rapel por uma fenda na rocha - a descida é rápida, a subida é lenta (requer bom preparo físico), então aproveite para se embasbacar com as estalactites na volta, subindo. Aterrissamos numa plataforma de madeira a 72m abaixo da fenda inicial - é um abismo, afinal. Lá embaixo, um lago de visibilidade fantástica com uma floresta de cones submersos, formações geológicas calcáreas que levaram mais de 300 milhões de anos para chegarem àquele tamanho - com cerca de 20m de altura, são os maiores até hoje descobertos no mundo.
Rapel no Abismo Anhumas
Pode-se snorkellar em flutuação ou fazer mergulho autônomo no Anhumas. Só não pode sair do Abismo sem entrar na água e ver de perto os cones e outras estruturas bizarras que a natureza moldou ali. No mergulho, a profundidade máxima é de 18m e a visibilidade chega a impressionantes 40m. Temos a oportunidade de ver alguns esqueletos de animais que morreram ao cair ali e de passear pela floresta de cones passando por dentro deles - e tendo noção do quão gigantes eles são. Não há corrente, a única restrição é a água gélida - o que convenhamos, é um problema que um bom neoprene sana. Visitar Bonito e não conhecer esse pedaço lunático de geologia sub é praticamente um sacrilégio.
O CECAV (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas) é o órgão do governo federal responsável por regulamentar atividades em caverna no Brasil. Ele que liberou a licença para exploração ecoturística do Anhumas há alguns anos, e agora está finalmente prestes a aprovar o plano de manejo exigido pela licença ambiental para visitação e mergulho na Lagoa Misteriosa, outro point sub imperdível. A Lagoa é uma dolina submersa, com dois poços de cerca de 10 metros de diâmetro cada e até hoje não se chegou ao fundo ainda - 240 metros de profundidade foi o máximo que equipes técnicas conseguiram ir. Quando esta atração estiver liberada (espera-se que seja em poucos meses) para mergulho autônomo, será definitivamente a hora de ir (ou voltar) a Bonito.
Lá estando, mergulhe bastante, mas não deixe de conferir algumas das atrações mais conhecidas e famosas da região - elas o são por uma razão óbvia, são maravilhosas. Extremamente fotogênicas, a flutuação do rio da Prata, do rio Sucuri e do Aquário Natural ainda são passeios obrigatórios - e engana-se muito quem acha que "flutuação é tudo igual". Cada uma tem suas peculiaridades, seu ritmo e principalmente sua paisagem sub. O ideal é fazer as três como fizemos e se deixar levar pelas sensações em cada uma delas: encantar-se com as rochas, o Vulcão, ressurgência submersa de onde brota a água limpa que alimenta o rio Olho D'Água, e a paisagem sub dramática no rio da Prata; ter a sensação de "voar" sobre um jardim verde submerso no rio Sucuri onde a corrente um pouco mais forte te permite tal sensação; e observar os diferentes tons de azul que a água do Aquário Natural possui.
Flutuação no Aquário Natural
Há também os passeios secundários, menos badalados, com excelentes surpresas sub - e você, mergulhador antenado, não pode deixar de visitar pelo menos um deles. Na Estância Mimosa, por exemplo, fizemos uma trilha de cerca de 4 horas com Rafael, um guia treinado margeando o rio Mimoso, em meio à mata ciliar e trechos de cerrado. Nesse trajeto, passamos por mais de oito cachoeiras e em muitas delas pode-se nadar em piscinas naturais. A água não é tão clara como nos rios mais "famosos" de Bonito, mas mesmo assim a visibilidade não compromete o belo visual sub que a cachoeira proporciona. Para complementar, a comida servida durante o dia na Estância Mimosa é típica de fazenda, tudo fresco vindo da horta sustentável que a Estância mantém, deliciosa e cheia de quitutes especiais, como o doce de melancia e de jaracutiá, meus prediletos. Para compensar a caminhada, nada como esquecer a dieta nesse local onde a gastronomia se destaca.
Estância Mimosa
Um outro local que merece ser visitado é o Balneário Municipal de Bonito. Mantido pela prefeitura local, o Balneário está localizado num ponto onde o rio Formoso faz uma curva e cria uma piscina natural - devidamente concretada de um lado para os visitantes menos acostumados com a água entrarem ali. No Balneário, centenas de piraputangas nadam próximas às pessoas, aguardando serem alimentadas. Antes os turistas davam salgadinhos e quetais pros peixes, que estavam ficando mal-nutridos e obesos - muitos ainda são. Hoje vende-se ração de peixe no Balneário, prática controversa que perturba a alimentação natural do bicho e que traz à tona a discussão: o que é mais ecologicamente factível quando lidamos com tantas pessoas visitando um local? O melhor seria educar a não alimentar, mas há pouca fiscalização e o que na teoria seria ideal, na prática já se mostrou complexo de se administrar. Então vendem ração.
Balneário Municipal de Bonito
Mesmo quem entra no Balneário sem comida alguma pros peixes, se impressiona com a quantidade de piraputangas. Vez ou outra, um dourado pode aparecer. Pacus também são fregueses. A visibilidade cristalina e os pouquíssimos metros de profundidade convidam à flutuação. Do outro lado do rio, uma matinha ciliar onde tucanos se exibem. O rio Formoso ali ainda tem uma pequena corredeira, que deixa o cenário do Balneário mais bonito ainda para os que querem garantia de passeio tranquilo, de contato com a natureza mas sem aventuras muito radicais.
Porque Bonito é perfeito no cenário do ecoturismo nacional e internacional exatamente por isso: tem satisfação garantida para todos os gostos e idades. E cada vez essa promessa só melhora e não tem como a gente fugir do clichê - ou melhorá-lo, talvez: Bonito está cada vez mais lindo.
DICA DA AUTORA: Bonito pode ser visitada durante o ano todo, mas fica a dica especial: de dezembro até início de janeiro, o sol bate direto dentro do Abismo Anhumas, formando um faixo de luz incrível, o que torna a caverna ainda mais bonita. Em setembro, há menos chuva e mais dias de sol - e a flutuação fica mais bonita quando há sol. Não esqueça de tomar também um copo de suco de guavira, fruta regional típica, e de experimentar um gole da cachaça de canela Taboa.
COMO CHEGAR: Se você compra um pacote com opção aérea, voa até Campo Grande (MS) e de lá uma van ou similar o transporta até Bonito (cerca de 3h em direção sudoeste). Ou pode-se alugar um carro em Campo Grande e dirigir por estrada asfaltada até a cidade. Todos os passeios ficam em áreas mais afastadas do centro de Bonito, alguns em outro município, inclusive. Caso você esteja com seu próprio carro, prepare-se para enfrentar algumas estradas de terra.
ONDE FICAR: Bonito tem dezenas de opções para estadia. Em nossa ida para lá, ficamos na Pousada Águas de Bonito, que além de ser muito aconchegante, participa de um projeto de sustentabilidade ambiental, que visa a economia, despoluição e uso equilibrado da água da região. Recomendadíssimo.
CURIOSIDADE: A mesma água calcária que torna a água dos rios de Bonito cristalina é fonte de um problema inusitado. Em média uma vez por semana, os moradores da cidade e donos de hotéis precisam abrir seus chuveiros elétricos e limpar a resistência da precipitação de sal calcário que se forma; caso contrário, o chuveiro queima após poucos dias de uso.
Fonte: Lúcia Malla para Revista Mergulho
Fotos: André Seale